Banco do Brasil e BB TEC voltando à escravidão em pleno século 21

cobra

Estamos em novembro na semana de comemoração do Dia da Consciência Negra, quando relembramos o sofrimento e debatemos temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, o negro na sociedade, inserção do negro no mercado de trabalho, discriminação, identificação de etnias etc.

A BB Tecnologia, empresa controlada pelo Banco do Brasil, em pleno século 21 quer voltar no tempo e escravizar seus empregados. Alegando ter que cumprir uma determinação do Ministério do Trabalho, tenta implantar o ponto eletrônico. Em teste há alguns anos, este programa até hoje não conseguiu ser instalado na sua totalidade, devido a erros e inconsistências.

Pra nossa surpresa a empresa acaba de comprar da Oracle do Brasil, outro sistema de monitoramento semelhante ao da NASA, chamado de TOA, ao custo de R$ 7.500.000,00. O mais impressionante é que a BB Tecnologia alega não ter recursos financeiros para reajustar os salários dos trabalhadores, em plena campanha salarial de 2017/2018. Eles reivindicam um aumento de 10%, diminuição da participação no pagamento do plano de saúde, dentre outras demandas. Hoje a permanência do empregado e seus dependentes é quase impossível, pois ele tem que arcar com 50% do valor do plano. Existem casos que o empregado tem que decidir quem fica no plano: os filhos ou os pais. Com certeza técnicos e administrativos sofrem dobrado, pois com menor renda, sobra muito menos para sobreviver.

Voltemos ao famigerado TOA. Este sistema de monitoramento envolve principalmente os técnicos. Aí é onde mora o perigo! Todos estão sendo praticamente obrigados a instalar algo semelhante às tornozeleiras eletrônicas, com monitoração 24 horas.

Segundo informações dos próprio trabalhadores este sistema irá controlar entrada, roteiro, percursos, quilometragem e os passos dos técnicos de campos. Eles não são contra o controle dos chamados, quilometragem e acompanhamento das atividades, mas que este controle seja feito com a própria estrutura da empresa. Os empregados colocam seu patrimônio (seu veículo) à disposição da empresa, mesmo sabendo do prejuízo com o desgaste de motor, pneus, etc., e recebem de volta o congelamento do valor da PMUVPE. Isto fez com que os trabalhadores procurassem a justiça e o sindicatos entrassem com uma ação de incorporação do valor pago aos salários e outra ação exigindo o reajuste deste valor. No próprio Acordo Coletivo de Trabalho, na cláusula 49, está bem claro que este valor seria reajustado conforme aumento dos salários.

O Sindados junto com os trabalhadores da Bahia levaram esta situação para a reunião nacional, onde solicitaram da empresa explicações sobre o TOA. No dia nada foi esclarecido, mas marcou para o dia 06 de dezembro uma apresentação do programa de monitoramento, para dirimir qualquer dúvida.

Paralelamente a BB Tec vem tentando instalar este sistema nos estados, mesmo com a resistência dos trabalhadores que questionam e propõem que a empresa forneça os veículos e instale o sistema de GPS ou o próprio TOA.

Eles questionam também se o sistema de controle de ponto está registrado no Ministério do Trabalho. Querem também saber se nos contratos individuais dos técnicos e na norma interna, existe a possibilidade do controle de ponto ou controle de chamado, como a empresa afirma.